As pequenas questões humanas, e um novo projeto

nenhuma relação é pequena demais para não influenciar nossa humanidade

Às vezes sinto como se fosse puxado para cima, rumo às nuvens, ou ao nada. Algo do tipo “do pó viestes e ao pó voltarás”, mas numa versão mais etérea, imaterial. E o que me segura em terra são pequenos fios, correntes transparentes e fininhas que mal se dão o prazer de existir visualmente, mas têm força desproporcional à sua sutil e delicada aparência.

E o que haveria de bom em estar preso ao chão em uma teia de aranha?

As pessoas e as aranhas fiam – o tempo todo. E em algum instante, se vão, deixando apenas uma fina e resistente estrutura geométrica para a posteridade. Em algum instante, tudo o que habita, é protegido ou aprisionado por essas conexões se vai, e o que nos resta para estudar são apenas as linhas. A teia que prende é a mesma que protege – essas correntes que me prendem às outras pessoas, que me prendem às coisas, que me instigam o tato e me dão um mundo a conhecer, antes que eu flutue rumo ao nada.

Somos definidos pelo que fazemos, tanto as pessoas como as aranhas.

Tudo o que é humano me fascina, e nossa capacidade de nos conectarmos tem se tornado uma verdadeira obsessão nos últimos tempos. E a percepção visual dessas conexões, sua representação, a performance do fio em toda sua sutileza e resistência.

E o que vocês, leitores, têm a ver com isso?

Eu gostaria de alguma ajuda aqui. Essa pesquisa tornou-se uma série, que chamo de “ELOS” – a representação visual da ligação entre pessoas e pessoas, pessoas e objetos, pessoas e animais. A sugestão do que é irretratável, através de pistas dadas pela linguagem visual/fotográfica. A ajuda que peço é que preciso de candidatos, ligações a retratar. Se você estiver disposto a construir comigo uma representação visual de uma de suas conexões emocionalmente importantes, seja com uma pessoa, seja objeto ou animal, serei imensamente grato – basta apenas enviar-me um email contando quem ou o que para iniciarmos as conversas. Um print final, junto com as mais relevantes fotos da sessão serão dados como agradecimento.

Adianto: não é um book, e muitas vezes a imagem irá enveredar por algo talvez distante do retrato tradicional. A série é um trabalho de longo prazo – as sessões de fotos não serão frequentes, e serão marcadas a partir da primeira quinzena de março se houver retratados interessados. As conversações sobre a conexão em questão serão intensas e pessoais, então o processo é algo intrusivo/visceral. Casais são bem-vindos, qualquer que seja sua orientação sexual.

Antecipadamente agradeço aos que toparem o convite, agradeço imensamente pela confiança.

Até!

    • Danieli Castoor
    • 22 janeiro, 2012

    Incrivel!

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